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Autor Desconhecido
São Paulo, 17 de Junho de 2019
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Caetano

Martô nunca se esqueceu de sua antiga paixão. Apesar de anos de um sólido casamento, nunca abandonou seu gosto por Caetano. Em suas músicas, relembrava da juventude. Dos tempos em que o relógio não tinha limite, e os bares da região enchiam-se de opositores ao movimento de 64.

Tamanho fanatismo levava à loucura de José Roberto, seu esposo. Ciumento, nunca viu com bons olhos essa ?paixonite?. Acreditava que seria simplesmente uma fase. Esperando que algum dia ela acordasse para a realidade e notasse que tudo não passava de uma fantasia juvenil.

Porém, o tempo passou, os vinis ficaram, e o que tanto esperava José Roberto, não ocorreu. Sem dúvida, Caetano, participara de grandes momentos de sua vida, como quando pediu Martô em casamento, à quarenta e dois anos atrás, em bar no bairro do Belenzinho. Lá escutava-se Caetano. Ou, quando nasceu sua primeira filha, em que se misturavam canção e choro, numa sinfonia única. A canção era de Caetano. Mas, para tudo se tinha um limite. Ela teria de tomar uma decisão, chegava a hora de crescer.

Martô limpava a casa como fazia todos os dias. Com a Tv desligada, colocava o disco no gramofone e apesar de ser intitulada de antiquada, pelo marido, (quando na realidade era o oposto disso) ouvia seu querido Caetano. José Roberto amarrava a cara por de trás do jornal. Olhava com tom de reprovação. Mas, a esposa tão extasiada, nem notava.

- Martô, tenho que lhe falar algo.

- Diga...- respondia ela

- Está difícil a nossa situação, ou ele, ou eu!

- Ele quem criatura?

- Caetano, ora!

- Você continua com esse ciume bobo.

Isso bastava para que José Roberto se calasse. Odiava ser chamado de ciumento. Decidiu, então, jogar na mesma moeda. Ressuscitou seus antigos discos de Elis. E revezando no gramofone, os dois ouviam suas canções. Porém, nada surtia efeito. Martô não largava sua paixão por Caetano.

De repente, uma luz. No comercial, a saída que precisava. Um celular, talvez fosse à solução. Sabia que a esposa adorava essas geringonças tecnológicas e perdia muito tempo para entender dos recursos do aparelho. Estava ai a resposta! Encheria a cabeça com outra coisa, e consequentemente, esqueceria, de uma vez por todas, o ídolo.

Comprou o celular. O mais moderno e mais cheio de recursos. De início achou estranho, parecia que havia dado com os burros n'água. Porém, em questão de meses, Caetano desapareceu. O velho gramofone foi aposentado, seguindo para o porão. E a alegria de José Roberto, começava a aparecer, ao ver que, enfim, a esposa estava curada.

De tudo, apenas, uma coisa o encafifava: não entendia o porquê Martô, de repente, começara a usar uns negocinhos pretos ligados à fios, dentro dos ouvidos. Talvez, fosse moda, pensava ele.


Vinícius Bernardes Mondin Guidio
(vguidio@ig.com.br)

Vinícius Bernardes Mondin Guidio - tem 15 anos, é estudante, adora ler e escrever, gosta de português, literatura e tudo o que é relacionado a área de humanas.

Escreve crônicas para o jornal Gazeta do Belém e também adora observar o cotidiano e as gafes alheias, para depois relatá-las em seus textos.

Contato: vguidio@ig.com.br

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