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Clarice Lispector
São Paulo, 24 de Julho de 2019
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Barulhentos Vizinhos

Barulho é uma coisa terrível. Nisso, acho que muitos concordam. Já dizia o filósofo, que falar é de prata, mas o silêncio é ouro. Principalmente à noite, quando, após um exaustivo dia de trabalho, ansiamos ao máximo a nossa confortável cama e o doce ar do descanso. Nesse contexto entram os vizinhos. Pessoas amáveis quando querem; atenciosas quando lhes é conveniente; e o pior, os quais sabem como ninguém, gerar o maior barulho possível.

Já tive todos os tipos de vizinho: os festeiros, os reformistas, os rockeiros e até macumbeiros. Para meu azar todos sem exceção tem algo em comum; o barulho que realizavam. Não sou um vizinho chato, como muitos devem estar pensando, mas creio que para tudo se há um limite. Três da madrugada não são horas de festas, brocas, ensaios e principalmente cultos em alto volume. Se ainda tais manifestações ocorressem aos finais de semana até seriam toleráveis. Mas, em pleno meio de semana?

Entre todos os vizinhos que já tive, aquele em que a lembrança é mais nítida é a do meu ultimo, o qual do dia para a noite decidira se tornar cantor. Após a compra dos instrumentos, ele reuniu alguns colegas, elaborou um nome criativo, e assim surgiu meu maior pesadelo. Com a banda formada, os ensaios começaram; e para o meu azar, pela residência dele ser a mais ampla do grupo, os mesmos acabaram por combinar de ensaiar por lá. Devido a isso, todas as noites, meus ouvidos passaram a aguentar a desafinação constante, e as letras melodramáticas que os cinco jovens cantavam.

Por indicação de um amigo, comprei até aqueles tampões a fim de finalmente descansar. Nas primeiras noites, eles foram um sucesso. Porém, com o tempo não funcionaram mais, principalmente depois que o meu querido vizinho adquiriu um amplificador de ultima geração.

Meus ouvidos quase surtaram com a notícia da compra. Sua mãe, minha vizinha, toda orgulhosa anunciava aos quatro ventos, a grande aquisição. Atestando e ratificando a possibilidade dos mesmos se tornarem a próximo Restart. Sonho é sonho o primeiro passo é acreditar, mas tudo isso já extrapolava para o exagero. Se ainda possuíssem algum talento tudo bem, mas os mesmos não serviam nem para cantores de chuveiro.

Finalmente, o sonho acabou. Após algumas discussões internas, a banda se desfez; e meus ouvidos reencontraram algo que há muito tempo estava desaparecido; o silêncio.

Porém, não são apenas os jovens os únicos culpados pela barulheira ocasionada por vizinhos. Os adultos também têm sua parcela de culpa, derivada das recorrentes reformas que realizam. Apesar de gerarem um design novo ao local quando a obra é concluída; estas geram em seu percurso, barulho e caos aos que vivem ao redor. Para minha sorte, as mesmas, ocorrem na maior parte das vezes no período comercial, e raramente fico em casa nestes horários. Mas, existem exceções. Um amigo que reside próximo a uma importante empresa, já me disse o contrário. Devido a essa estar em funcionamento no período diurno, a reforma ocorria à noite, o que dificultava o descanso dele, que levantava cedo para trabalhar no dia seguinte.

Barulho! Barulho! Barulho! Viver em São Paulo é viver com barulho. Se não há remédio para combatê-lo a solução é conviver. Já dizia o ditado: que os incomodados que se mudem. Talvez, seja por isso que me mude tanto. Hoje, vivo em um lugar mais calmo, mas este não foge da mesma dinâmica dos outros. Portanto, chego à conclusão de que mudar-se é apenas trocar de endereço, pois apesar da casa, da rua e da paisagem nova, não estaremos livres, jamais, dos barulhentos vizinhos.


Vinícius Bernardes Mondin Guidio
(vguidio@ig.com.br)

Vinícius Bernardes Mondin Guidio - tem 15 anos, é estudante, adora ler e escrever, gosta de português, literatura e tudo o que é relacionado a área de humanas.

Escreve crônicas para o jornal Gazeta do Belém e também adora observar o cotidiano e as gafes alheias, para depois relatá-las em seus textos.

Contato: vguidio@ig.com.br

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