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Avenida Brasil do Mensalão

O sucesso da trama de João Emanuel Carneiro é algo incontestável. Com uma história brilhante que retratou as maiores dores e prazeres da sociedade, conquistou toda uma nação. Personagens que surpreenderam a cada capítulo, e a cada cena, com maestria; instigaram a curiosidade do telespectador.

Direção brilhante, texto melhor ainda, um trabalho que elencou grandes profissionais na construção de nada mais nada menos do que este grande sucesso que repercutiu por todo o país.

Os ataques histéricos de Carminha deixarão saudade, diferente das vilãs comuns, João conseguiu misturar sarcasmo, ironia, e uma pitada de humor, brincando com as emoções de quem durante 179 capítulos acompanhou esta trama.

O subúrbio pela primeira vez tornou-se o palco para as ações e não um plano de fundo secundário como abordado em tantas outras histórias. Devido a isso, pode-se atribuir este reflexo da população nos personagens.

Mas e o mensalão? Dirceu, Genoíno, Lula, Delúbio e tantas outras figuras que por sua vez, encenam mais uma história neste palco chamado Brasil. Pode-se perceber que as figuras do folhetim e da vida real se assemelham. Para quem diz que a arte não copia a vida, sinto em dizer, mas se engana. Quem não diz que Lula é meio que o Tufão desta trama. Ambos não sabiam de nada, apesar do circo estar ocorrendo debaixo dos seus narizes. Dirceu, Genúino e Delúbio são meio que as Carminhas e Maxs que com esperteza conseguiram enganar a família toupeira, no caso, nós os brasileiros. Joaquim Barbosa entra como, Nina, aplicando a tão sonhada justiça, em tempos que a esperança de punição a corrupção é quase nula. Levandowiski, por sua vez, é a carta a mais no baralho, o Santiago da vez, que quando todos pensaram que o vilão estivesse aniquilado, mostrou-se conivente aos atos tortuosos que os mesmos cometeram.

Fecha-se o cenário, mas o fim ninguém sabe. Sendo que desta vez nem João Emanuel, poderá saber qual será o destino de tais personagens. Carminha ficou presa três anos? Mas e os nossos queridos mensaleiros, será que ficarão tudo isso? Ou conseguirão um habeas-corpus? Se os próprios personagens disseram que a pena da vilã foi pouca, o que dirão os brasileiros a respeito da pena dos mensaleiros? Ah, esqueci! Estamos no Brasil, na verdade ninguém se lembrará de nada. Sendo capaz até de elegermos tais figuras novamente, quem sabe para comporem o senado, ou câmara de deputados nas próximas eleições.

Entristeço-me, pois este território chamado Brasil torna-se um país sem jeito. Um país que apesar de tentar; só dá com os burros n?água. Não creio que a corrupção deixará de existir devido ao julgamento do Mensalão. O mundo é corrupto desde o homem pré-histórico, e não será agora que a humanidade tomará jeito.

Folhetins vão e vem. Mas o que quero ver de tudo isso é que rumo tomará esta história, quem será que matou o Max desta vez, ou melhor, quem roubou o "pão" (o título de vilão) da trama do João. Além disso, fica a dúvida: de qual história nos esqueceremos primeiro, será do Mensalão ou de Avenida Brasil?


Vinícius Bernardes Mondin Guidio
(vguidio@ig.com.br)

Vinícius Bernardes Mondin Guidio - tem 15 anos, é estudante, adora ler e escrever, gosta de português, literatura e tudo o que é relacionado a área de humanas.

Escreve crônicas para o jornal Gazeta do Belém e também adora observar o cotidiano e as gafes alheias, para depois relatá-las em seus textos.

Contato: vguidio@ig.com.br

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